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"Bandido não terá sossego nem em casa", diz secretário de Segurança em entrevista exclusiva

secretário de Segurança do Ceará, André Costa, deu uma entrevista exclusiva ao Comando Realidade, falando sobre diversas questões da Segurança Pública do Estado. Sobre as ações da Polícia, ele declarou que "os bandidos não terão sossego nem em casa".
 
Apreensão de menores
 
Perguntado sobre a questão dos adolescentes que são presos e poucas horas depois estão novamente nas ruas cometendo crimes, o secretário afirmou que é uma questão difícil de combater. "Essa questão do adolescente é um dos desafios a serem enfrentados. Eu costumo dizer que, quando o problema chega na Segurança Pública, é porque todo mundo já falhou. A família falhou, a educação falhou, o assistencialismo falhou, a oferta de lazer, a cultura, tudo. E quando o problema deságua na segurança pública, já está muito mais difícil de a gente poder resgatar esse jovem", afirmou.
 
Compra de Armas
 
Sobre a facilidade de comprar armas no Ceará, André Costa afirmou que o Batalhão de Divisa está trabalhando para reduzir a entrada dos armamentos no Estado. "Esse é um problema de nível nacional. A maioria das armas vem de outros países, então é um problema de controle de fronteiras, já reconhecido pelo Governo Federal. Nós temos um País muito grande e essas armas acabam por entrar no País. O Ceará também tem várias divisas, além do mar. Então é difícil manter o controle das divisas, mas a gente tem trabalhado para melhorar isso, para evitar que a arma e a droga entrem", alegou.
 
Rodízio em delegacias
 
Sobre o 'rodízio' feito nas delegacias, para estar presente em diversos setores, André disse que a intenção é ganhar crédito. "A ideia é estar em todas as delegacias. Não só da Polícia Civil, como também batalhões e companhias da Polícia Militar e dos Bombeiros. É um trabalho que não pode parar. Tudo que eu tenho feito, de estar nas ruas, ouvir a população, ouvir os policiais, se não eu caio em descrédito. Eu vim por uma missão e vou cumprí-la", disse.
 
Busca de armas
 
Sobre os procedimentos de busca de armas, como a revista em ônibus da Capital, o secretário alega que busca a segurança da população. "O cidadão está com medo de estar nas ruas, está com medo de estar dentro de casa. É isso que a gente não pode admitir. O nosso trabalho na Segurança Pública é fazer com que esse jogo seja invertido".
 
André quer fazer com que o criminoso esteja intimidado, e não os cidadãos. "Quem não vai estar à vontade é o bandido. Nós vamos incomodá-lo, vamos na sua casa. Se é criminoso, a Segurança Pública vai alcançá-lo".
 
Segundo ele, é difícil realizar as operações diariamente, mas o importante é manter a frequência. Há, inclusive, policiais trabalhando de graça para ajudar na causa. "É muito importante para a população ver Polícia nas ruas. Nessas operações, a gente não mexe no policiamento ordinário, é um reforço. A gente traz até voluntários, os profissionais querem participar desse projeto. Infelizmente, todos os dias não dá, mas temos feito um esforço para que mais de uma vez por semana façamos uma operação dessa. E os resultados são excelentes", esclareceu.
 
Violência e abordagens
 
Sobre as abordagens policiais, o entrevistado afirmou que os oficiais tem que fazer o necessário. "Quem é violento é o criminoso. O policial sai de casa com uma missão de manter a paz, manter a ordem e salvar vidas. A Polícia atua para a sociedade, para o cidadão, em defesa dos direitos humanos. O policial vai para as ruas para agir dentro da legalidade, mas é necessário ressaltar que o policial precisa reagir de forma proporcional".
 
De acordo com André, os cidadãos de bem não têm problemas em atender aos comandos policiais. "Todo e qualquer cidadão na rua sabe que precisa obedecer aos comandos da Polícia. E nós temos aqueles casos de pessoas que não obedecem. Essa pessoas que decidem sacar uma arma de fogo, efetuar um disparo... Nós temos casos de balas perdidas matando crianças. O policial não pode admitir".
 
Operações na rua
 
Sobre sua experiência com as operações na rua, o secretário contou que teve que liderar pelo exemplo, já que começou muito jovem. "Eu comecei como delegado na Polícia Federal com 23 anos. Então o grande desafio que eu tinha era comandar pessoas bem mais velhas e com bem mais experiência que eu. Então eu tive uma necessidade muito grande comandar pelo exemplo. Se eu ficasse só no gabinete e dissesse para um policial que trabalha há 20 anos na rua o que ele tinha que fazer, eu sabia que eu ia ter dificuldade de comandar", contou.
 Problemas de segurança
 
André Costa afirmou saber dos problemas existentes na Segurança Pública do Estado, mas quer encarar a situação de uma forma mais otimista. "A gente tem focado muito nos problemas. No que a gente não tem, no que deveria ter. Os problemas a gente vai correr atrás, mas o grande desafio que eu tenho lançado é fazer o melhor com o que nós temos hoje. Esse é o grande desafio".
 
Relacionamento com Camilo
 
O entrevistado esclareceu que tem boa relação com o governador e que trabalham juntos para melhorar a situação da população e dos policiais. "Nós estamos tranquilos. O governador tem se empenhado, eu tenho me empenhado. O diálogo é aberto. Semanalmente eu estou lá no Palácio, a gente conversa muito sobre a Segurança Pública e sobre o que pode ser feito. Eu quero ajudar, eu quero investir".
 
Sem pretensões políticas
 
Para o secretário, sua carreira é dentro da Polícia, e não envolvido com política. "Minha grande meta é deixar alguns legados, para que, no futuro, a gente possa melhorar ainda mais a segurança do Estado. Meu grande sonho é poder voltar para a Polícia Federal, retornar ao convívio da minha filha, que mora fora do Estado. É isso que eu quero fazer", finalizou.

TV DIARIO.
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